Amostragem de solo
*Amostragem de solo*
Maria Eduarda Alves
O solo se configura por uma matriz complexa, que mesmo apresentando características visuais, como textura e cor semelhantes, podem apresentar atributos relacionados à fertilidade inúmeros vezes distintas. (Cantine et al., 1954). Assim dentro do processo de levantamento da fertilidade do solo, a amostragem é uma técnica simples, mas importantíssima, que busca gerar representatividade de uma área pré-determinada através de uma porção do solo que retrate suas características gerais. (Cardoso et. al., 2009).
Para iniciar o processo de amostragem a área deve ser subdividida em glebas homogêneas quanto ao tipo de solo, declividade, aspecto geral da vegetação e qual a procedência anterior daquele local, e buscando ser mais preciso, cada gleba deve conter no máximo 10 a 20 hectares. (TORRES G., 2015). Devem ser coletadas em torno de 15 a 20 amostras simples resultando em uma amostra composta, após a mistura das amostras simples. É de extrema importância, na coleta das amostras simples, evitar que sejam retiradas próximas a fatores não representativos a área, ou seja, que não compõe a totalidade da área, como: casas, brejos, sulcos de erosão, formigueiros, depósitos de esterco, cercas, entre outros. A profundidade, época e frequência de amostragem estão diretamente ligadas à cultura que será manejada naquela área. A profundidade de amostragem deve variar de 0-10 cm e 10-20 cm, ou 0-20 cm, e de 20-40 cm para culturas anuais, adiciona-se até 60 cm para culturas bienais e perenes, sendo descritos casos de 1 metro para culturas perenes, isso deve estar diretamente ligado ao desenvolvimento radicular da cultura de interesse. Não existem restrições quanto à época em que a amostragem deve ser realizada, deve se levar em consideração: o tempo para realizar amostragem, realizar as análises no laboratório e a realização dos processos de correção e adubação anteriormente a instalação da cultura, ou anterior a épocas de maior crescimento como no caso das pastagens, ou anterior as épocas de produção como nas culturas perenes. A frequência de amostragem irá variar com relação a intensidade de cultivo, variando de uma vez ao ano até uma vez a cada cinco anos. As amostras podem ser coletadas com auxílio de pá reta, trado de rosca, sonda, trado holandês ou enxadão. Um processo de amostragem de solo bem conduzido irá garantir confiabilidade nos resultados das análises laboratoriais. (Arruda et. al. ,2014; Raij, 2019; Sousa et al., 2004).
A amostragem georreferenciada, no levantamento da fertilidade na agricultura de precisão, uma ferramenta para a maximização da produção e uso racional dos insumos, é uma aliada importante, demonstrando através de mapas os pontos que foram coletados, e de maneira detalhada os atributos e nutrientes do solo, guiando o produtor ou técnico no processo de correção e adubação da área. Deve ser feito de 8 a 12 subamostras em um raio de 10 metros do ponto georreferenciado, utilizando processo mecânico ou amostragem manual. (Santi et. al., 2016).
Assim, a amostragem de solo busca gerar uma amostra, uma pequena fração de solo, que representará uma área específica, pré-determinada. E quando planejada e realizada de maneira correta, garantirá que chegue ao laboratório de análise de solo material com qualidades para gerar resultados confiáveis, que irão guiar o produtor ou técnico, com relação à fertilidade, na tomada de decisão quanto à condução da área de produção.
ARRUDA M. R. D., MOREIRA A., PEREIRA J. C. R. Amostragem e cuidados na coleta de solo para fins de fertilidade. Embrapa, Amazônia Ocidental, Manaus, AM, 2014.
CANTINE R. A., GALO J. R., GARGANTINE H. Amostragem de solo para estudos de fertilidade. Instituto Agronômico do Estado de São Paulo, Bragantia. Campinas, 1954. N.3, Vol. 14.
CARDOSO L. E., FERNANDEZ A. H. B. M., FERNANDES F. A. Análises de solos: finalidade e procedimentos de amostragem. Corumbá, 2009.
TORRES G. A importância da amostragem e análise de solo. Technology Development, dezembro 2015, N. 111.
RAIJ B. V. Fertilidade do solo e manejo de nutrientes. Instituto Agronômico de Campinas. Piracicaba, 2019.
SANTI A. L., SEBEM E., GIOTTO E., AMADO T. J. C., Agricultura de precisão no Rio Grande Do Sul. CESPOL. Santa Maria, RS, 2016.
SOUSA, D. M. G., LOBATO, E., REIN, T. A. Adubação com fósforo. In: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (Ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. p. 147-168.
